sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Poema


O poema, este jeito
da alma sorrir,
de fazer o outro sentir
sem mesmo sabê-lo

Esta linguagem
sussurrante
que de outra
maneira é tão inefável

Se a beleza existe
é por que
o poeta inventa.

O silêncio
grita no verso
do poema quando
se quer dizer
que Deus existe.

Pois a existência
de Deus é um verso
circunscrito
sempre pronto
a falar ao coração.

E saber
que o verbo
que se fez carne
é o verbo
do poema de Deus.

O poema
é um falar
baixo
que só ouve
quem entende
de amar.

Quando a guerra existe
ele some
sem deixar vestígios.
É o asco sentido
diante das
impurezas do ódio
dos homens

Ele regressa
quando a luz
da paz ascende
na vida

O outro eu




Cresce outro eu
ao lado de mim,
talvez é a parte
menos efêmero
do que sou.

Estranho de mim mesmo
é o que me resta
neste reconstruir-me




quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

TELEGRAMA

video
Eu tava triste
Tristinho!
Mais sem graça
Que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só
Sozinho!
Mais solitário
Que um paulistano
Que um canastrão
Na hora que cai o pano
Tava mais bôbo
Que banda de rock
Que um palhaço
Do circo Vostok...

Mas ontem
Eu recebi um Telegrama
Era você de Aracaju
Ou do Alabama
Dizendo:
Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo
Tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...

Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...(2x)


Zeca Baleiro, um poeta que canta em rimas seus versos simples, na música Telegrama ele visualiza o sentimento de como somos quando amamos e descobrimos que somos amados.

Caminho




Tantas vezes eu vi
um crucifixo na parede
sem estar no coração

|Já vi uma bíblia
que dormia triste
em uma vasta biblioteca

Tantos deusificando
Aparências
esquecendo de emagrecer
os problemas
e engordar a paz

Tantos gritos
sem garganta
tantos estômagos
sem janta

O que faz a verdade
sem a boca,
a divina liberdade
de uma vida oca?

No caminho da eternidade
não encontro atalhos,
não há desvio,
A fé é minha avenida
Pra chegar
em um certo lugar.